R6 & TL: A história de ziGueira | ziGueira’s story

August 25 2022




R6 & TL: A história de ziGueira | ziGueira’s story








Existem jogadores que independente de qualquer coisa terão seus nomes gravados na história de suas respectivas modalidades. É o caso de Pelé no futebol, Kobe Bryant no basquete, Babe Ruth no beisebol, Felipe “brTT” Gonçalves no League of Legends, Gabriel “FalleN” Toledo no Counter-Strike e muitos outros.



Dentro do Rainbow Six é difícil cravar um nome tão influente como esses devido ao fato de termos diversos grandes nomes. No entanto, sem dúvidas o de Leo “ziGueira” Duarte é um que será lembrado por muito tempo.



Sua história e a do título estão intimamente ligadas, e se olharmos para sua infância e adolescência, vemos que um gênero o acompanha para qualquer lugar que vá: O FPS. A paixão e preferência pelos títulos desse gênero vem desde cedo, desde as arminhas de brinquedo que sua avó dava de presente até a influência de um dos grandes clássicos oldschool dos games.




“Eu jogava muito o 007 GoldenEye, até hoje eu sei passar da fase sem tomar um tiro se bobear. Se me der o controle de 64 aqui, eu zero a fase de cabo a rabo no modo mais difícil sem tomar um tiro. Eu sempre gostei muito de FPS e o GoldenEye foi o primeiro”, conta.







É muito claro que sua vontade de competir vem de muito tempo. Essa vontade esteve o rodeando desde que era criança e jogava GoldenEye e passava incontáveis horas tentando zerar o jogo do modo mais convincente possível. Talvez ele tenha nascido com essa vontade de competição por vir
de uma família que compete nas mais diferentes modalidades competitivas.



Se você acredita, você pode chamar isso de destino.



“Sou de uma família de competidores, né? Meu tio competia em Mountain Bike, uma tia em Ginástica Olímpica, outra tia compete em corrida até hoje; e desde pequeno eu ia pra academia competir em Natação. Já competi em Mountain Bike também, joguei Futebol… Eu sempre gostei de competição, gostava do clima competitivo, aquele frio na barriga e a adrenalina - aquela vontade de ir no banheiro que dá antes de uma partida, não tem jeito”, fala já começando uma risada que seria acompanhada pela minha.



Olhando para o início de sua história, a de ziGueira não é tão diferente de outros jogadores profissionais do Brasil. Assim como muitos deles, ele começou com um jogo de um console antigo até ser levado aos esports nos computadores após começar a vivenciar o boom das LAN Houses no país.



Era apenas uma questão de tempo até ziG se encontrar em meio ao cenário competitivo dentro dessas LAN Houses.



Após o primeiro contato, foi impossível parar. E escolher jogar ao invés de comer se tornou algo comum. Foi juntando dinheiro das merendas da escola, que sua mãe dava todo dia para um salgado, que o ex-jogador começou a frequentar o Área 51 e deu o primeiro passo em sua história como um dos mais notórios jogadores brasileiros de Rainbow Six.



O começo de tudo



Não tardou muito e ele já estava indo ao estabelecimento onde dezenas de brasileiros, jovens e adultos, passavam horas competindo entre si e ansiavam pelo momento de levantar para gritar após uma operada no CS. Explorando diversos jogos de tiro, foi dentro de uma LAN House que Leo Duarte traçou um objetivo: os esports.



“Quando vi que tinha essa parte dos esports, e vi que eu jogava bem, sempre me destaquei, foi quando pensei: ‘Vou partir pra isso’. Começou dando certo, eu sempre estava nos melhores clãs e beliscava um campeonato ou outro, mas era tudo muito pequeno”, lembra da época em que começou a competir.



Dedicação, garra e muita vontade de vencer foram pilares que acompanharam o jogador ao longo de todos os títulos pelos quais teve a oportunidade de competir. Colecionando experiência competitiva em jogos como Point Blank, Counter-Strike, Assault Fire e diversos outros Battlefields; foi no BF4 que ele realmente começou a aparecer mais nos holofotes - tanto do competitivo quanto do entretenimento.



Já longe das LAN Houses e dentro de sua própria casa, eventualmente a paixão acabou se desfazendo após competir por anos no cenário do Battlefield. Transbordando um copo que há muito tempo vinha sendo enchido, aquele era o momento perfeito para mudar os ares.



“Eu jogava o BF4 e até tivemos um campeonato muito importante que era o da ESL; que era três vezes ao ano, e batemos as três na trave. Não conseguimos ir, sendo que a última a gente tava com o jogo na mão. Ali, pra mim, tinha sido a gota d’água.”



“Eu pensei ‘chega de Battlefield’, e sabia que estava chegando outro jogo: o Rainbow Six”, lembra.



Marretando a parede para um novo mundo



Foi ao lado de antigos parceiros do Battlefield 4 que o atual streamer da Liquid chegou ao cenário que se tornaria seu lar. E ele não chegou apenas trazendo entretenimento através de vídeos que influenciaram diversos brasileiros a comprar o título, mas também para se firmar competitivamente.



No Brasil, ziGueira se tornou um nome tão grande que contar a história competitiva do Rainbow Six sem ele como personagem pode soar até um pouco ofensivo para alguns. Um dos primeiros brasileiros a testar o jogo (fato inclusive que parece lhe trazer orgulho), ele esteve entre um dos grandes responsáveis a trazer o jogo aos holofotes da comunidade brasileira.



“Apostei no jogo achando que tinha tudo para dar certo, e deu. Sempre gostei de criar conteúdo. Então, aproveitava para juntar o útil ao agradável; ainda mais em um jogo que era tudo muito novo e diferente. Foi muito bom esse início”, adiciona.



“Foi legal porque a gente era um time que jogava junto no BF já. Então, a gente tinha algumas facilidades.”



Foi um começo relativamente tímido. Vídeos para um lado, e campeonatos ao lado de sua equipe para o outro. Mas, lentamente, ele começou a abrir caminho no Brasil para o que na época era um dos jogos mais inovadores do mercado.



E muito se fala sobre os cenários competitivos precisarem de grandes figuras para mantê-los interessantes. Além da emoção das jogadas, e a paixão que arde pelos times do coração, um dos principais motores que movimentam os bastidores dos esports é a história. Aquele tipo de narrativa que parece até mesmo o conto de um herói ou uma história antiga de grandes conquistas.



Como disse anteriormente, aqui no Brasil temos brTT no League of Legends e FalleN no de Counter-Strike. E da mesma forma, ziGueira entregou exatamente o que o Rainbow Six precisava.



“Eu sei que tenho influência”, confessa.



“Mira tá cavala”



Um personagem que teve um impacto gigantesco na evolução do cenário, que tem sua história diretamente entrelaçada com este, e tem noção do peso que carregou para construir o que hoje é um dos principais cenários competitivos do Brasil.



É engraçado, lembro até hoje de chegar em casa de um dia exaustivo de trabalho e, antes de me deitar, assistir por horas vídeos dele clicando em cabeças no jogo de tiro da Ubisoft. Foi por conta dessa época que Rainbow Six se tornou o primeiro jogo que comprei quando tive meu primeiro computador gamer.



“Não fico falando que tenho influência, porque parece que quero me gabar. Você mesmo falou que comprou R6 por minha causa e isso é legal pra caramba. Hoje eu vejo o Gabriel ‘AsK’ Santos, que tava me assistindo ser campeão em 2018, e falou que era super meu fã. E hoje tá jogando no time que eu joguei, saca?”, reflete.



“Isso é muito legal, ver essa galera do competitivo falando: ‘Comecei a jogar o competitivo por causa de você’”, responde com um ar de felicidade.



Carregando ainda no começo algumas dificuldades de adaptação, causadas pela diferença de proposta entre os jogos, rapidamente ziGueira se colocou como um dos jogadores mais valiosos do cenário de Rainbow Six.



Vice-campeão da primeira Pro League latino-americana e a participação no pódio de outros grandes campeonatos como o Brasileirão, foi uma questão de tempo até chegar ao topo ao lado de organizações como paiN Gaming, Black Dragons, BRK Esports.



“Eu, com 30 anos na época, sempre achei que me dedicava mais que os outros. Isso ninguém vai tirar da minha cabeça. Pra mim, eu queria ser muito mais campeão do que todo mundo que tava ali dentro comigo. Isso pode ser pelo fato de eu estar me dedicando mais, ou pelo fato de eu sentir mais falta daquilo, de não encarar como brincadeira”, conta.



Sua visão profissional sobre o cenário trouxe muitas conquistas e o colocou em um lugar que todo brasileiro almejava chegar um dia: nos holofotes do cenário internacional. O mais estranho é que ele é o dono do bordão “mira tá cavala”. Parece que desde o começo ziGueira sabia qual seria seu possível destino final, e o mais importante de todos.



Em 2018, se tornou o primeiro membro da Team Liquid no Brasil.



Formando a primeira Cavalaria



Assim como a história de ziG e do Rainbow Six nacional se entrelaçam, a Team Liquid foi mais um dos laços que chegou para fortalecer ainda mais essa corrente. Com um dos elencos mais bem sucedidos do Brasil na época, e com uma das principais faces do cenário competitivo, foi junto dos jogadores que a organização deu seus primeiros passos em solo brasileiro.



“A gente ia fechar com a Fontt, mas aos 45 do segundo tempo recebemos proposta da Liquid e da SK. O Rafa era manager da Fontt na época e ficou chateado porque a gente tava quase fechando. Mas foi o que eu falei, e sem querer menosprezar eles, mas é tipo você ser jogador de futebol quase fechando com o XV de Piracicaba e chega o Real Madrid querendo fechar contigo”, lembra do primeiro contato.



Mas não demorou até que Rafa se juntasse ao elenco dentro do “Real Madrid” dos esports. ziGueira, bullet1, nesk, xS3xyCake, yuuk, Sensi e novo manager foram os primeiros membros a representar o uniforme da organização dentro de terras tupiniquins. Após poucos meses ao lado da BRK, era hora de dar um passo além em todos os quesitos.



“Não vou falar que ganhar em dólar é ruim, tá? Não posso ser hipócrita. Mas isso daqui vai muito além disso”, conta.



Foi algo muito acima dos padrões brasileiros da época. De organizações que utilizavam casas de praia como centro de treinamento a uma que daria toda a estrutura necessária para performar em alto nível, e ainda por cima teria uma remuneração acima do mercado.



Não é querendo puxar saco da organização para qual estou escrevendo, mas sinceramente, quem recusaria?



“A estrutura que eles te dão é absurda. Só pra ter ideia, tem um pessoal ensinando o AsK a dançar porque eles vão produzir conteúdo com ele dançando. Eles contrataram alguém pra vir aqui ensinar o moleque a dançar, parece algo meio fútil, mas é o carinho que eles têm. Temos um monitor de 240Hz que eles mandaram, temos uma estrutura, um psicólogo, um cozinheiro, uma baita GH.”



“Aqui a Liquid não trabalha com improviso, ela tem muito mais estrutura e é um time muito mais velho, entende melhor como funciona esse cenário. A estrutura que a gente recebe deles é absurda. Não tem outro time no Brasil que tenha essa estrutura”, relata o ex-jogador com palavras sinceras.



Por estar diretamente ligada à história de ziGueira, e por ter o R6 como seu primeiro investimento no Brasil, a Liquid também passou a ter grande influência em como o cenário se portou nos anos seguintes.



Buscando fazer diferente através do investimento em uma estrutura de qualidade, profissionais de saúde e trazendo o padrão internacional ao cenário brasileiro, a Liquid forçou outras equipes a fazer melhor. Aquele era um cenário que ainda caminhava a passos curtos para se tornar relevante, mas que acabou recebendo o empurrão que precisava em direção à profissionalização.



“Jogou a bola lá em cima, levantou o nível. Sabe quando você vai em uma loja de roupa e tem um monte de gente comprando e você fica olhando pra ver o que é? É mais ou menos a mesma coisa, a Liquid chegou e outros times ficaram ‘Opa, o que eles tão fazendo aqui? Rainbow Six?’. Acredito que outros times viriam para o R6 também, mas a gente rapidamente puxou a MIBR, a Ninjas in Pyjamas (NiP) e outros junto da gente”, observa sobre a influência da organização.



“Além de levantar a bola do cenário, tornando ele mais profissional. Chega uma empresa oferecendo essa estrutura. As outras equipes não tem como fazer por menos, tem que estar mais ou menos na mesma pegada que a Liquid.”



Um ano e quatro meses. Foi o tempo que precisou passar ao lado da equipe como jogador para ser campeão mundial na OGA Pit Season 3, levantar a taça da Pro League Season 7, em Atlantic City, e firmar a equipe como uma das mais emblemáticas e perigosas do cenário nacional.



Arrependimentos? Não. Aprendizados!



Bem-humorado e confiante em suas palavras, ziGueira é aquele tipo de pessoa que quando você conversa, além de dar risada a cada cinco minutos, sabe que ela é segura de si, segura de sua dedicação para alcançar o topo, de sua capacidade para cativar centenas e das decisões que tomou para chegar até onde chegou.



É aquele tipo de pessoa que quando você pergunta se existem arrependimentos em sua vida, responde de forma firme: “não”.



Existem aqueles que acreditam que mudariam muitas coisas de suas vidas com apenas uma ação diferente. Isso não é necessariamente mentira, mas Leo Duarte prefere deixar as coisas como estão. Acredita que cada acerto e cada erro é um aprendizado que o levaram a se tornar quem é hoje em dia.



“Não me arrependo. Pra falar a verdade, eu não tenho arrependimento nenhum na minha vida. Eu tento encarar tudo como um aprendizado. Tudo o que aconteceu foi do jeito que tinha que ter acontecido. Acho que se arrepender é algo muito forte, não me arrependo não”, avalia.



Em meio a todas as decisões boas e ruins que tomou ao longo de seus 33 anos de idade, tornar-se jogador profissional talvez tenha sido uma das melhores. Conforme começo a fazê-lo refletir sobre seu passado e falo sobre suas conquistas, ziG também começa a avaliar qual foi a que trouxe o maior orgulho em sua carreira.



E ele escolhe com facilidade um momento (que talvez seja óbvio, caso você seja um fã do Rainbow Six).



“Não tem como ser outra: ter sido campeão mundial. Atlantic City foi o auge. Não tem momento melhor do que aquele em que você se torna campeão, o melhor do mundo naquilo que você dedicou tanto tempo. É muito gratificante”, diz.



“Naquele dia, ninguém no mundo era melhor que nós seis. Ninguém. Todo mundo tentou, mas naquele dia fomos nós”. Enquanto ele fala, consigo sentir orgulho emanando de sua voz.



Mas nem tudo são rosas. O título é um momento de grande importância para sua carreira, mas entre jogadores, analistas e pessoas da comunidade, ainda há quem diga que o campeonato não era um mundial. Quando mencionei isso, pude ver ziG saindo daquela posição orgulhosa e abrindo seu coração.



“Falam que a Pro League não é mundial. Você pega dois times da América do Norte, dois da Europa, dois da Oceania e dois da América do Sul. Você é campeão e não é campeonato mundial. É o que? Eu matei 47, fui o segundo que mais matou, só fiquei atrás do Nesk, e me falaram que eu fui carregado. São coisas como essas que me tiraram um pouco dessa torcida do Brasil”, lembra.



Nadando contra a maré verde e amarela



Infelizmente, ele não pôde presenciar de perto uma das grandes conquistas que a região brasileira teve: se colocar à frente de todas as outras e dominar o cenário. Quando se é um dos pilares, no qual o cenário se apoiou para crescer, ver ele triunfar sem sua presença pode ser doloroso. No entanto, ele revela que a sensação na verdade é uma mistura de sentimentos.



“Vou te falar que gostei e não gostei. Gostei porque existem pessoas ali que merecem ser campeãs. O Lagonis, que sempre acreditei, e o Julio que jogou comigo também. Mas sei também que muito desse pessoal, quando a gente foi campeão não gostou, então me sinto nesse direito também de não gostar”, rasga o atual streamer.



Ainda que hoje se encontre em outra situação, e tenha uma cabeça diferente, parece que ziGueira ainda tem cicatrizes de momentos do passado. Em meio à resposta, o jogador relembra um acontecimento durante sua época de BRK.



“Quando a gente estava na BRK e perdemos uma das Pro League, fomos assistir a Fontt Energy jogar. Tem vídeo da gente a ‘um metro’ dos caras torcendo como se não tivesse acabado de perder, torcendo pra eles serem campeões. Algumas temporadas depois, a gente tava em palco em um hotel que era só descer o elevador. E tinha gente que não tava nem assistindo a gente na final. Isso me decepcionou um pouco”, lembra Leo.



Mas isso, segundo o próprio ziGueira, é coisa do passado. Inclusive já deixou isso bem claro para aqueles que o acompanham. Deixando desavenças no passado, hoje ele prefere apoiar aqueles que sempre estiveram ao seu lado, se resolver com os que teve algum conflito e afastar o que lhe faz (ou fez) mal.



“Eu já falei em público que eu não torcia pros times brasileiros, eu torcia pra perder. Queria que a Liquid fosse campeã de novo. Isso já mudou muito, já torço pra caramba e já me resolvi com algumas pessoas do cenário que era brigado por algum motivo; e outras prefiro só manter distância mesmo. Mas hoje torço mais pelas pessoas do que pela própria organização”, conta.



Ao longo dos anos competindo profissionalmente no cenário de Rainbow Six, a relação de ziGueira junto à comunidade sempre foi conturbada. Seja por suas opiniões, por seu nível apresentado dentro de jogo, ou até mesmo por conta de sua idade, que para alguns era motivo para o desempenho cair.



Essa última inclusive traz algo inegável: se você compete, em algum momento as mensagens de ódio chegarão. No entanto, apesar de admitir que também foram um dos motivos de o afastar do cenário, o ex-jogador da Team Liquid sabe que em meio a delas, recebeu diversas mensagens de apoio.



“O hate foi um dos motivos também que eu pensei em me afastar um pouco do R6. Comecei a jogar tudo que eu gostava, comecei a zerar vários jogos singleplayer e foi muito legal. Eu tô voltando agora e não quero inimizade com ninguém, torço pra Liquid, torço pros brasileiros, torço pra todo mundo agora”, revela.



"Mas é uma minoria, cara. O ódio aparece muito mais porque você vai se afetar muito mais. Você recebe dez mensagens maneiras em cima, uma pra hatear, mais dez maneiras embaixo e você vai se prender naquela mensagem de ódio.”



Assim como em uma de suas músicas favoritas, “Estranged” do Guns N’ Roses, ziGueira estava em um romance que não queria que acabasse, mesmo que o destino apontasse para essa direção. No entanto, a relação era com o cenário do Rainbow Six. Com o seu lar de muitos anos.



E realmente teve um fim.



O adeus necessário



“A minha vida é 100% Rainbow Six”, foi o comentário feito por ziGueira durante o documentário “Em Busca da Vitória” produzido pela Ubisoft em 2019. Após anos se dedicando a ajudar a erguer o cenário ao patamar que hoje se encontra, sabemos que a partir de 2019 essa frase deixou de ser verdade.



Era hora de pendurar o mouse e o teclado.



“Eu respirava Rainbow Six e me dedicava muito. Mas eu cansei”, confessou. Em meio a memes, pedido de casamento durante campeonatos e taças sendo levantadas, havia chegado a hora de tirar seu tão merecido descanso e deixar o cenário nas mãos daqueles jogadores que moldou, direta e indiretamente, ao longo dos anos.



Cameram4n, Lagonis, Bullet1, ion e toda a Cavalaria são apenas alguns dos nomes que tiveram alguma influência, ou a benção, de ziGueira e que hoje mantém o nível brasileiro tão alto.



“Pra mim aquilo era seriedade. R6 sempre foi seriedade”, crava com um tom sério.



Ele levava o jogo tão a sério, que revelou algumas das ideias mais intensas de treinamento que teve alguns anos atrás durante sua passagem pela Liquid. Ideias que na época eram taxadas como sérias demais, mas que o jogador acreditava serem essenciais para que o coletivo pudesse se sentar no trono de melhor do mundo. Hoje as ideias fazem parte da rotina das equipes brasileiras da Liquid.



“Até hoje acho que me dediquei muito mais, tanto é que coisas que a Liquid faz hoje de rotina, eu falei pra implementar na época. Mas falaram que ia virar escola militar”, conta. “Eu queria ter uma rotina para dormir e acordar. Queria uma rotina para horário de treino tático, físico e prático. Achava que a gente ia performar muito mais”.



A dedicação para colocar no topo as equipes, das quais participou ao longo dos anos, perdurou por quatro anos. Aquilo que era apenas uma profissão e um amor, passou a invadir seus sonhos. Mesmo nas horas que queria descansar, o Rainbow Six era quase como aquele pensamento que nunca sai de sua cabeça.



“Quantas vezes eu já sonhei com o jogo, com tático, com os barulhos de bomba e de desativador, já sonhei com algumas calls. Uma vez por semana eu tava sonhando com esse jogo”, lembra.



“Minha vida era 100% Rainbow Six. Eu acordava e ia dormir respirando R6. No meu casamento eu pensei: ‘Cara, eu sou maluco. Eu troco a minha mulher, a minha cama queen size em casa e a minha TV de 55” pra dormir do lado de um japonês (Sensi) de São Paulo numa cama de solteiro’. Às vezes eu preferia estar com esse pessoal, me dedicar ao jogo, do que estar com a minha família.”



O ponto final chegou após o Six Invitational 2019. Quer dizer, após o campeonato ele ainda ficou alguns meses ao lado da equipe. Mas a semente para explorar outros caminhos havia sido plantada naquele campeonato no qual a Liquid caiu ainda nas quartas de final e, ao voltar ao Brasil, presenciaria mais uma mudança de elenco.



As forças para reconstruir um castelo e manter a equipe no topo já não existiam da mesma forma como antes. “Voltamos para o Brasil e saiu o Gohan, voltando o PSK. Pra mim era aquilo de ter que caminhar tudo de novo pra tentar ser campeão, porque ia entrar um novo elo na corrente. Eu tinha acabado de casar, já tava muito estressado.”



“Foi quando pensei: ‘Pra mim já deu’”, conta ziGueira.



Havia chegado a hora de dar um novo passo, passar um tempo com as pessoas que tanto ama e finalmente começar a sonhar além do jogo.



Mudança de ares e um novo amor



Hoje, apesar de não vestir mais o uniforme dentro dos servidores, ziGueira ainda continua de mãos dadas com a Team Liquid. Atuando como streamer, o ex-jogador da Cavalaria revela que os planos são de focar em suas transmissões e na criação de conteúdo.



“É muito gostoso, muito tranquilo. Eu não tenho mais aquela preocupação de ter que ser o melhor nas minhas costas, apesar de gostar da competição. Jogo Valorant dando a vida, comemoro mais que os cara quando ganho uma ranqueada. Mas eu posso streamar o que eu quiser basicamente, é uma profissão que não tem como reclamar”, faz o balanço.



Agora como streamer da Team Liquid, ziGueira tem a oportunidade de transmitir o que quiser, quando quiser e espalhar entretenimento para sua comunidade. Uma liberdade que antes, de certa forma, não tinha.



Apesar de focado em entregar as melhores streams e ajudar a Liquid na produção de conteúdo, ziGueira tem os pés no chão. Isso porque o jogador admite não saber até quando poderá se dedicar a essas atividades.



Isso principalmente com a nova função que teve que assumir: a de ser pai. Um desejo antigo, que há alguns meses atrás se tornou realidade. Quando perguntei a ele sobre a paternidade, senti apenas sinceridade nas palavras que eram ditas. Senti que ele não encontraria algo que o deixasse mais feliz.



“Eu falo: você tem amor pela sua mãe, pelos seus amigos, pela sua namorada, mas pelo seu filho é diferente. Não consigo explicar. Dá vontade de pegar ela e ficar olhando uns trinta minutos, com ela fazendo caras e bocas, é muito gostoso. Eu termino minha live, tomo meu banho, vou malhar, já volto e fico com ela, abraço, dou um cheiro. Às vezes dou uma pausa na live e vou na sala pra ver como ela tá. Sou muito abençoado, é muito gostoso”, conta ziGueira.



A competição nunca acaba



Apesar de tudo isso, e toda a bagagem que carrega consigo, é difícil você apenas parar de fazer algo que parece ter nascido para fazer. Olhando para o histórico de sua família, é inegável que a competição esteja em seu sangue. Competir é algo intrínseco da pessoa Leo “ziGueira” Duarte.



Mesmo escolhendo deixar de lado a competição dentro do Rainbow Six, ele não consegue parar. Por mais besta que possa ser algo, ele torna em uma competição consigo mesmo.



“Eu parei de competir, mas compito comigo mesmo até hoje. Uma delas [das competições] é estacionar o carro na garagem o mais perto possível da parede, pra você ter uma ideia”, confessa o ex-jogador em meio a risadas.



Fora do mundo dos esports , e do mundo de baliza, ele procurou por algo radical que poderia preencher aquela vontade de ser o melhor de uma forma mais profunda. “Parei do FPS competitivo e hoje tô no Motocross, vou em corrida e sempre tô competindo em alguma coisa”.



Essa paixão por moto, inclusive, também vem desde sua infância. Dedicando os últimos anos de sua vida ao Rainbow Six, foi ao lado de um amigo que ziGueira começou a se enfiar no meio das pistas terrosas do Motocross.



“Tô há um ano no esporte, já fiz curso e tô adorando. Eu estou evoluindo rápido demais, já consigo andar com o pessoal que está há muito tempo andando. Eu me dedico bastante, isso daí eu tiro o chapéu pra mim mesmo. Porque quando eu pego alguma coisa pra fazer, eu tento me dedicar ao máximo. Tô amarrado pra caramba no Motocross”, conta.



Tão intrínseco quanto a vontade de competir, parece que com o decorrer dos anos, ziGueira também criou uma aptidão e alimentou um amor por algo em específico: a vontade de representar a Cavalaria. Ele já é membro da Team Liquid desde 2018, durante toda nossa conversa, em nenhum momento deixei de sentir que ele estava no time que nasceu para representar.



Desde títulos, campeonatos, decepções, derrotas até transmissões, até os mais variados conteúdos descontraídos que ziGueira faz parte, sinto que uma frase específica ecoa constantemente dentro de si desde o momento que vestiu o uniforme pela primeira vez:



Let’s go Liquid!








There are many players that will be forever remembered by their own scenes regardless of anything. Just like Pelé with soccer, Kobe Bryant with basketball, Babe Ruth with baseball, Felipe “brTT” Gonçalves with League of Legends, Gabriel “FalleN” Toledo with Counter-Strike, and many others.



It is hard to pick a single name out of the Rainbow Six Siege scene because there is more than one great player in this title. But, without a doubt, Leo “ziGueira” Duarte is one of those names to be remembered forever.



His life story and his titles are strongly connected, and if we look closer at his childhood and teenage years, we will see one genre following him wherever he goes: The FPS. ziGueira’s passion for this kind of game is something that has been following him his whole life, from toy guns his grandmother gave him as a gift to the old school FPS games that had influenced his games preferences.



“I used to play a lot of 007 Goldeneye. I still know how to close the game without getting shot once. If you give me a Nintendo 64, I can finish all phases on the hardest mode without getting a single shot. I’ve always liked FPS games and 007 Goldeneye was my first game of this genre”, he says.







(ziG’s Goldeneye skills still shine to this day.)



It’s pretty clear, his will to compete isn’t new. That competitiveness was around since he was a kid playing Goldeneye, working to beat the game as convincingly as possible. Maybe ziG’s competitive rush was in the blood - after all, his family has always been seen competing in different kinds of modalities. Maybe it was upbringing. Or, if you believe in it, maybe you could call it fate.



“My family has many competitors. My uncle used to be a mountain biker, my aunt was a gymnast, and another aunt is a track and field athlete. I used to be a swimmer when I was a child. I’ve participated in mountain bike competitions, and I used to play soccer too… I’ve always enjoyed competing, the competitive atmosphere, the butterflies in my stomach, and the rush of the competition. Not to mention that urge to go to the bathroom before a match”, he said laughing and I couldn’t help but join him.



In the first act, ziGueira's story is not so different from other professional players in Brazil. He started, like so many of them, with an old console title. Then, he was carried off into PC esports by the great boom of cyber cafés in Brazil. Modeled off of the PC bang boom in Korea, Brazil would have an estimated 100,000 Cyber Cafes by 2010, so it was only a matter of time that ziG would encounter the competitive PC gamer culture within those cafes.



After the first encounter, he quickly became hooked, choosing games over food. He would save money from his school lunch, and instead of eating he started to go to the cyber café called “Area 51”, and that’s how he started his journey to become one of the most known Rainbow Six Siege players in Brazil.



The beginning of everything.



It didn’t take long for him to start going to the cyber café where dozens of Brazilians, of all ages, were spending hours competing among themselves and felt the anxiety building up to land an impressive knife-kill. In Brazil, it was the culture to shout, “Knifed!”* after each kill, making it a source of competitive pride. Inside one Cyber Café, after testing out different shooters, Leo Duarte Borges Pinto established a goal: to become an esports professional.




*Editor’s note: A more direct translation would be, “operated” or “dissected” like operating a surgery. But these words felt clunkier than a simple “knifed” or “backstabbed.”



“When I realized video games had this competitive side and understood I was a good player, usually among the best, I thought: ‘that’s what I want to do’. It all started well. I was always in the best groups and won and participated in some championships, but it was all too small”, said ziG remembering the beginning of his competitive career.



Dedication, drive, and a huge will to win were the foundations that always walked side by side with ziG during all his victories and titles. Gathering experience with CS:GO, Point Blank, Assault Fire, and many Battlefield championships, it was with Battlefield 4 that he was caught in the spotlight. He started to get recognized on the competitive scene and in the entertainment field as well.



Away from the cyber café and inside his own home, the passion was fading away after years of competing in Battlefield’s scene. It would be one final drop on an already full glass of water that encouraged him to change scenes.



“I used to compete on BF4, we even had a huge championship with ESL. This championship happened three times a year, and we almost won those three times. We couldn’t win, and on the last one, we even had the game in our hands. That was the final straw for me."



“I thought that was enough Battlefield for me, and another game called Rainbow Six Siege was about to be released."



Breaking the walls to reach a new world



It was alongside old teammates from Battlefield 4 that the now Team Liquid streamer reached the scene that would become his home. ziG got into R6 not only by bringing entertainment and making videos that influenced people to buy the game, but also by joining the competitive scene.



In Brazil, ziGueira would become so big that not mentioning his name when talking about the Competitive R6 scene can be considered offensive to some people. He was one of the first Brazilians to play the game, a fact that he is very proud of. He was also responsible for the game getting noticed by the Brazilian gaming community at all.



“I put all my hopes on the success of the game, and I was right to do so. I’ve always liked making content, so I combined business with pleasure, especially because it was a new and different game. It was good from the beginning.”



“The cool part is the fact it was the same team from BF4, so we knew how to play together."



It was a slow start, with videos and championships alongside his team. But step by step R6 was one of the most innovative games and started to gain space in the national market.



People talk about how each gaming scene needs an important figure to make them interesting. Besides the excitement of the outplay and the fandom built around major teams, one of the most important engines behind an esports scene are the stories. Those big narrative lines that feel mythic or legendary.



As aforementioned, in Brazil, we have players like brTT, on League of Legends, and FalleN, on Counter-Strike. And just like them, ziGueira became exactly what Rainbow Six Siege needed: a legend.

“I know I am a big influence”, confessed ziG.



“Mira tá cavala” (“A shot like a kick from a horse”)



ziGueira is someone that had a major impact on the R6 scene and has his story directly connected to it. He knows how much he worked to build one of the major competitive scenes in Brazil.



It is funny - I still can remember when I would come home from work and, before bed, watch some videos of him landing crisp headshots in Ubisoft’s game. Because of his videos, Rainbow Six Siege was the first game I bought as soon as I got my first gaming desktop.



“I don’t keep reaffirming my influence because I want to brag. You said yourself that you bought R6 because of me, and that’s awesome. Today I see Gabriel “AsK” Santos, someone who was a huge fan of mine, playing for the team he saw becoming a world champion back in 2018, you know?”



“It is amazing to hear these professional players saying things like ‘I joined the competitive scene because of you’” he happily affirms.



In the beginning, ziG and his team struggled to adapt, the differences between R6 and BF4 slowing them down. But quickly ziGueira became one of the best and most treasured players in the R6 scene.



After being the runner-up of the first Latin American Pro-League and participating on the podium of many other championships such as the Brazilian R6 championship (BR6), it was only a matter of time for him to reach the top alongside teams like paiN Gaming, Black Dragons and BRK Esports.



“I was 30 years old back then, and I always thought I was putting in more effort than the others. No one could change my mind on that. In my point of view, I thought I wanted to become a champion more than anyone on the team. Maybe I was feeling like that because I was dedicating myself more than the others or by the fact that I took things more seriously. I didn’t see the job as a hobby.”



His professionalism brought him many achievements and put him in a position other players only could dream of, he was in the spotlight of the international esports scene. It is funny to think about his catchphrase “A mira tá cavala” (“A shot like a kick from a horse”) is the fact ziG used it way before knowing where he would go next, the team that would possibly be his final - and most important destination..



In 2018, he became the first member of Team Liquid’s Rainbow 6 squad.



The Cavalry’s first charge



In Brazil, the story of both ziG and R6 are tightly woven together, and Team Liquid’s arrival only made this connection stronger. Alongside its players, the organization made its first steps on Brazilian soil, and together they became one of the most successful teams in Brazil and the players, some of the most influential in the R6 scene.



“We were about to sign up with Fontt, but at the last minute, Team Liquid and SK came up with offers. Rafa was Fontt’s manager back then, and he got upset because we were almost singing up with them. But I told them, without stepping on anyone’s toes, it was almost like being a soccer player and receiving proposals from XV de Piracicaba (a small soccer club) and Real Madrid."



Rafa would join them in the “Real Madrid” of esports soon enough, though. ziGueira, bullet1, nesk, xS3xyCake, yuuk, Sensi, and Rafa were the first ones to represent Team Liquid in Brazil. After months of playing for BRK, it was time to take a step forward, in more ways than one.



“I’m not going to complain about being paid in dollars, alright? I’m not a hypocrite. But this goes deeper than money."



Team Liquid’s proposal was something much higher than the Brazilian standards of that time. They went from an organization that used beach houses as training facilities to one that was willing to give everything the team needed to perform on the highest level, on top of being one of the best paying orgs on the market.



Not to butter up the org I’m writing for, but honestly, who would refuse such an offer?



“The structure they give you is absurd. Just to give you an idea, AsK is having dance classes because he’ll be in a video that includes dancing. They hired someone to teach him how to dance. It might sound silly, but that’s the kind of care they have for you. We have 240Hz screens they gave us, we have a structure, a psychologist, a chef, and a huge Gaming House.”



“Team Liquid doesn’t work with improvisation, they have structure, and it is an older team, so they understand the esports scene. The structure they offer is absurd. There is not a single team in Brazil with something like this”, says ziG sincerely.



Since Team Liquid is strongly connected to ziG’s story and having R6 as their pioneer title in Brazil, the organization had a huge influence on how the scene behaved in the years to follow.



Team Liquid, by looking forward to doing something different through investing in a high-quality structure, hiring healthcare personnel, and bringing the international standard to Brazil, forced other organizations to work harder. The R6 scene until that point was slowly evolving, so Team Liquid gave it the final push towards professionalization.



“They set the bar higher, they elevated the level. It is like getting into a store and you see people crowding the place, so you get curious to know what they are buying. It is the same thing with Liquid. When the org arrived in Brazil all the others were like ‘Hey! What are they doing here? Rainbow Six?’ I believed sooner or later other teams would get into R6, but we quickly pulled MIBR, NiP, and others in with us”, ziG says about the org’s influence.



“Besides setting the bar higher by professionalizing the competitive scene, the org offered a huge structure for players, so the other teams had to do the same. They had to be somewhat on Liquid’s level."



One year and four months. That’s how long it took the team and ziG to become World Champions with their win at the Pro-League Season 7 championship in Atlantic City and establish Team Liquid as a name to be feared in the national scene.




Regrets? None. Only learning experiences.



Humorous and confident in his words, ziGueira is the kind of person who, besides laughing every five minutes, is sure about what he is saying. He is sure about his dedication to getting to the top, his capacity to captivate hundreds of people, and the decisions he made to achieve all he has achieved.



He is the kind of person that regrets nothing about his life.



Some people believe they could have changed things by only altering one past action. That’s not necessarily wrong, but Leo Duarte would rather leave things as they are now. He believes every right and wrong are learning experiences that made him the man he is today.



“I don’t regret anything. To be honest, I have no regrets in my life, I see everything as a learning experience. All things happened just as they were supposed to.”



Among all the good and bad decisions he has made in his 33 years of existence, becoming a professional player might be one of the best of them. As I get him to reflect on his past and to talk about his achievements, he also begins to evaluate what he is most proud of in his career. He settles fairly easily on one moment. (Perhaps an obvious one, if you’re an R6 fan.)



“Of course, it’s becoming the world champion. Atlantic City was the peak of my career. There is no other moment like when you become a champion, the best in the world at what you do. It is rewarding."



“On that day, no one in the world was better than the six of us. Nobody. Everyone tried, but on that day, we were the ones” As ziG speaks, I can feel the pride in his voice.



But not everything is a bed of roses. The world title is one of the most important moments of his career, but some players, analysts, and members of the scene don’t consider it a world title. When I mentioned this, I could see that proud posture falling as ziG opened his heart.



“They say the Pro-League is not a world championship. There were two teams from Europe, two from North America, two from Oceania, and two from South America. Then, you beat all of them and they say it is not a world championship. So, what was it? I got 47 kills, the player with the second-most kills in the championship, only behind Nesk, and they say I was carried on the whole time. Things like this make me break away from the Brazilian community."




Flying against national colors



Unfortunately, ziG couldn’t be part of one of the biggest achievements of the Brazilian scene: becoming the strongest region in the R6 scene. Since he was one of the foundations of the scene and helped it grow, seeing it getting stronger without him must hurt. But he confessed to a mixture of feelings.



“I will have to admit that I liked it but I didn’t, at the same time. I liked it because some players there deserve to become champions. I’ve always believed in Lagonis’s potential, and in my former teammate Julio too. But, at the same time, I know most of these guys didn’t like when we, as Liquid, became world champions. So, I feel like I am in the right for not liking their achievements as well."



Even having a different mindset nowadays, it looks like ziGueira still carries some scars from the past. While answering me, he recalled a situation from when he played for BRK.



“When we were BRK and lost one of the Pro-Leagues, we went to watch the Fontt Energy play. There is a video of us cheering our hearts out, it didn’t look like we had just suffered a defeat. We wanted them to win. Some seasons later, we were playing on one stage inside the hotel everyone was in, you just had to take the elevator to reach it, and some of them weren’t even watching us playing the finals. That was a little disappointing”, he recalls.



But, as ziG himself says, it is all in the past. It is something he already made clear to his fans. He left all these quarrels behind him, nowadays he chooses to support those who were always by his side and wants to get on good terms with people with whom he had some sort of conflict



“Once I publicly said I didn’t support Brazilian teams, I used to hope they would lose. I wanted Liquid to become a champion again. That changed a lot, now I cheer for them, and I made peace with some people in the R6 scene, and some other people I just want to keep my distance from. Nowadays I cheer more for the players themselves than for their teams."



During his years as a professional player, ziG’s relationship with the public was always turbulent because of his opinions, the quality of his in-game performances, or because of his age - the latter, for some people, was the reason he wasn’t playing so well anymore.



These conflicts just prove something unavoidable when you are a professional player, the hate messages will reach you. Even though he admits it was one of the reasons he drifted apart from the scene, he knows he received lots of support among those hatred messages.



“The hate was one of the reasons I thought about breaking away from R6. I started to play other games I loved, finished lots of single-player games. I had a lot of fun doing that. I’m just returning to the scene, I don’t want any enemies, I support Liquid, I support the Brazilian players, I support everyone now."



“But they are a small part of it, man. The hate seems bigger because it hits you harder. If in between 20 messages you find a hateful one, you will keep thinking about the negative one."



Like in his favorite song, "Estranged" by Guns N' Roses, ziG was in a romance that he didn't want to see end, even though it was fated to. Only, the romance was with the R6 scene itself.



A necessary farewell.



“My life is all about Rainbow Six”, which was an affirmation made by ziG in Ubisoft’s documentary “Em Busca da Vitória” from 2019. After years of dedication to helping the scene to become what it is today, we know the phrase stopped being true after 2019.



It was time to put the mouse and the keyboard away.



“Rainbow Six was my air, I put a lot of effort into it. But I got tired”, he confessed. After memes, a wedding proposal during championships, and many trophies, it was time to retire and finally rest, it was time to leave the scene to the players he influenced, directly and indirectly, through the years.



Cameram4n, Lagonis, Bullet1, ion, and his own Cavalry were only some of the players he influenced and blessed. Nowadays they are the ones who keep the Brazilian scene at its high level.



“It was something serious for me, I was always serious about R6”, he said in a stern manner.



He was so serious about the game that he revealed some ideas for more intense training regimens he had years ago when he still played for Team Liquid. Those ideas were considered too serious at the time, but he believed they were necessary if the team wanted to be on the top of the world - and today such ideas are part of the routine of the Brazilian squads from Team Liquid.



“I still believe I was working harder than the others. Some of the routine activities Liquid does today are things I tried to make happen when I played on the team. But back then they said the org would become a military academy with those routines.”



“I wanted a schedule for sleeping and waking up. I wanted schedules for tactical, physical, and practical practice. I thought it could have helped us to perform better."



His efforts to make his teams reach the top lasted 4 years. Playing was his job and his passion and it started to invade his dreams too. Even when he wanted to rest, Rainbow Six was all he could think of.



“Many times, I dream about the game, tactics, bomb noises, and diffusers. I even dreamed about some in-game calls. I dreamed about the game at least once a week."



“My life was 100% focused on R6. I would wake up and go to bed thinking about it. On my wedding day I thought ‘man, I must be insane. I leave my wife, my queen-size bed, and my flat screen to go to São Paulo and sleep next to a Japanese dude (Sensi) on a single-sized bed’. Sometimes, I would rather be with my team than with my family.”



His last drop was the 2019 Six Invitational. He was still on the team a couple of weeks after the championship. But back in France, where the team lost during Quarter Finals the seed to explore new horizons was planted. And when the team got back to Brazil, changes were made.



The strength to hold the fort was not as strong as before. “When we got back, Gohan was fired and PSK returned to the team. And for me, since we had a new member, we would have to rebuild everything from scratch to become champions again. I had just got married; I was a pile of nerves."



“That’s when I thought: ‘that’s it for me”, he said.



It was time to move on, to rest, spend time with his loved ones, and finally dream beyond the game.



A new beginning and a new love



Even though he doesn’t represent the team’s crest on the server, ziGueira still is strongly connected to Team Liquid. Now, as a streamer, the former crew member of the Brazilian Cavalry said his plans are to focus on streams and content creation.



“It is funnier, and calmer too. I don’t have the pressure of having to be the best on my shoulders (although I like the competition). I do my best when I play Valorant, and I celebrate with my friends when I win a ranked match. I can stream whatever I want, it is a job I have no complaints about."



Now as a Team Liquid streamer, he can stream whatever he wants whenever he wants, all that while he entertains his community. He didn’t have such freedom before.



While trying to be the best streamer possible and helping Team Liquid to produce content, ziGueira has to stay grounded and steady-paced his feet on the ground. But even while grounded and careful, the streamer admits he doesn’t know how long he can keep up with these activities.



That’s all because of a new role he has taken on: the role of a father. It was an old dream of his, and it came true a couple of months ago. When I asked him about fatherhood, I could feel his words on the subject were nothing but sincere. I felt like he had found utmost happiness.



“The love you feel for your child is different from the love you feel for your mother, friends, and girlfriend. I can’t explain it. I feel like I could hold her and just look at her making funny faces for minutes, it is such a delight. I end my streams, work out, shower, and then I go straight to her, I hug and smell her. Sometimes even during streams, I get up to check on her. I’m blessed, it’s wonderful."



The never-ending competition



With all that happened and all his experience, it is hard to quit something it feels like you were born to do. When you look at his family, it is undeniable that competition DNA runs through his veins. To compete is an intrinsic characteristic of Leo “ziGueira” Duarte.



He decided to quit Rainbow Six’s competitive scene, but he can’t help but want to compete. Even the silliest thing can be turned into an inner competition.



“I quit the competitive scene but to this day still compete with myself. One of these competitions is to try to park the car as close as possible to the garage wall,” he confessed in between laughs.
Outside of the world of esports - and the world of parking - he searched for something radical that could fulfill his will to improve on a deeper level. “I quit the FPS games and now I do motocross, I always go to races just to compete in something”



This passion for motorcycles also followed him from childhood. After dedicating his life to Rainbow Six, it was through a friend that ziGueira found himself on off-road motocross circuits.



“It has been a year since I started it. I took classes, and I am loving the sport. I’m improving extremely fast; I can keep up with people who have been doing this for years. I’m putting lots of dedication into it, but that’s easy for me since once I decide to do something, I try to do my best on it. I’m really digging motocross.”



Just like his will to compete, over the years, ziGueira also developed another will. The will to represent Team Liquid. He has been part of the organization since 2018 and during the whole interview, I felt like this is the team he was born to represent.



Among the titles, championships, disappointments, defeats, streams, and many kinds of content ziGueira was part of, one specific phrase reverberates inside him ever since he wore the team’s jersey for the first time:



LET’S GO LIQUID!










Writer // lucas Gerardi
Graphics // Zack "Zack Arts" Kiesewetter
Translator // Anna Lorena
Translator // Laís Figueiroa




















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